Ensaios de utilização do Pro Milk MKII para a determinação de proteínas no leite
- Alan Frederick Wolfschoon Pombo
- 30 de mai. de 1979
- 4 min de leitura
Atualizado: 27 de fev.
Resumo
Estudou-se a utilização do aparelho Pro Milk MKII como um método de determinação de proteínas no leite e outros produtos lácteos. Foi feita uma comparação (n=54) com o método micro-Kjeldahl sendo encontrados os seguintes valores: coeficiente de correlação (r) superior a 0,97 e desvio padrão dos resultados (SD) igual a + 0,036%. A repetibilidade do Pro Milk MKII foi de + 0,013% enquanto que a do método de referência foi de + 0,024%. A reprodutibilidade média (determinações em duplicata em 54 amostras) foi de + 0,012% (Pro Milk) e + 0,028% (Kjeldahl). Ao se estudar a influência de K2Cr2O7 0,10% sobre os resultados do aparelho, não se verificou nenhuma alteração durante 3 dias para amostras mantidas à temperatura-ambiente (+ 23ºC); após 15 dias o decréscimo foi de 0,2%. Para amostras mantidas entre 0º a 5ºC (sem conservador) o decréscimo no resultado aconteceu após 6 dias, sendo igual a 0,10% após 15 dias. Descreve-se exaustivamente o método e o princípio de funcionamento do aparelho, a calibração, o preparo dos reagentes e o método de referência. Verificou-se também que, amostras cuja temperatura esteja entre 10º e 40ºC não produzem mudanças significativas nos resultados. Determinações de proteína em leite em pó e soros de queijos estão incluídas. Uma metodologia para determinar proteínas no iogurte é sugerida.
Conclusões
A utilização do Pro Milk MKII como um meio de determinação de proteínas no leite e outros produtos lácteos apresenta vantagens sobre o método clássico de determinação de proteína, i.e., o método de Kjeldahl. O aparelho, que se baseia no método de Negro Amido (um corante tamponado) para fazer a determinação, possui características interessantes. No que se refere à exatidão das determinações (+ 0,036%), encontra-se na faixa de tolerância geralmente permitida nos métodos de análise da Federação Internacional de Laticínios; por outro lado, a repetibilidade (uma média da precisão de um método) dos resultados é muito boa; nós obtivemos valores de + 0,013% (10 medições numa mesma amostra) e de + 0,012% como valor médio de 54 determinações em duplicata; para o método de referência a repetibilidade ? faltam palavras? determinações numa mesma amostra) e de + 0,028% ? faltam palavras? médio de 54 determinações em duplicata. O desvio da diferença dos resultados do método Pro Milk em relação ao método de referência foi de + 0,036%; todos esses números justificam o valor analítico do aparelho, acrescentando-se o tempo pequeno necessário para efetuar uma determinação. Além disso, o método Pro Milk determina somente o nitrogênio proteico (e não o total, como no método Kjeldahl) com que se obtém o teor de proteína verdadeiro das amostras; tal fato pode ser responsável, parcialmente, pelas diferenças obtidas entre os dos métodos.
No transcurso do nosso experimento, o aparelho se mostrou muito estável e manteve a calibração. Podemos dizer que a verificação desta última, i.e., a calibração, se faz necessária somente ao trocar de reagentes, ou seja, cada vez que se prepara uma nova solução de corante. O controle desta solução pode ser feito mediante leitura de absorvância, segundo se explicou aqui. O ajuste do aparelho, quando se usam novas soluções, é fácil e rápido se se utilizam amostras de leite em pó; além disso, o uso de amostras de leite fresco também permite uma boa calibração.
O uso de bicromato de potássio 0,10% permite conservar as amostras durante três dias à temperatura ambiente (23º-25ºC) possibilitando a determinação de proteínas sem nenhuma alteração do resultado no aparelho; período mais prolongado (por exemplo até duas semanas) de armazenamento à temperatura indicada produzem variação notável (ao redor de 0,2%) no resultado. Por outro lado, a preservação das amostras diante frio (0º-5ºC) é outra opção viável; nós verificamos que o resultado do Pro Milk foi o mesmo durante 6 dias para amostras guardadas nessas condições; após 15 dias observou-se um decréscimo de 0,1%. Possivelmente, um tratamento combinado (K2Cr2O7 0,10% + baixa temperatura) permitirá melhores condições de manutenção das amostras destinadas à determinação com o aparelho. Geralmente, a integridade de uma amostra conservada depende da sua carga bacteriana, ocasione uma proteólise na amostra, que leva, consequentemente, ao decréscimo observado no valor determinado pelo aparelho.
O uso de amostras, cuja temperatura se situe entre 10º e 40ºC, parece não produzir diferenças significativas nos resultados das determinações. As variações observadas nessa faixa de temperatura se encontram dentro do limite de exatidão do aparelho; a precisão do método também não é afetada.
A utilização do Pro Milk II para determinar proteínas em diversos produtos é viável, com o que aumentam as vantagens do método. Já foi demonstrado que o teor de proteínas no leite em pó (18), caseína (15), soros de queijos (2,16) sorvetes (6) e outros produtos pode ser determinado de forma rápida e segura com este método. A técnica descrita aqui para iogurte deve ser comprovada com um número maior de amostras.
Finalmente, podemos dizer que a utilização do Pro Milk II para determinação do conteúdo de proteínas em produtos lácteos é sumamente vantajosa na indústria de laticínios. O método pode ajudar no controle do processamento do leite, seja como instrumento de medida do teor de proteínas do leite recebido, com fins de pagamento; seja como meio de controle no processamento, como no caso da fabricação de queijos, onde a relação gordura : proteína (caseína) é determinante do rendimento; também como controle das perdas de proteínas no soro, ou como método para padronização de subprodutos como sorvetes, iogurte, leite em pó, etc., ajudando assim a legislação correspondente.
Não há referências na parte copiada.
[26] WOLFSCHOON-POMBO, A. F. Ensaios de utilização do Pro Milk MKII para a determinação de proteínas no leite. Revista do Instituto de Laticínios Cândido Tostes, Juiz de Fora, p. 3-14, maio-junho de 1979.
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