Análise do leite por espectroscopia infravermelha – 2ª Parte
- Alan Frederick Wolfschoon Pombo
- 31 de mai. de 1977
- 4 min de leitura
Atualizado: 4 de mar.
Sinopse – Esse artigo apresenta uma adaptação do método infravermelho (IRMA) para a determinação dos componentes do leite, que possibilita a sua utilização em espetrofotômetros comuns. Mediante o uso de uma cela de espessura variável contendo NaCl a 5%, no feixe de referência de um espetrofotômetro de duplo feixe, foi possível compensar a absorção da água contida no leite e discernir os picos característicos da gordura, proteína e lactose, aos números de onda de 1,735, 1.535 e 1,065, cm-1, respectivamente. A comparação dos resultados obtidos das análises efetuadas pelo método infravermelho e pelos métodos químicos fornece evidência da utilidade da cela de espessura variável no método infravermelho para a determinação dos componentes do leite.
Introdução
Na primeira parte do presente trabalho apresentou-se aspectos importantes da bibliografia existente sobre a análise do leite por absorção infravermelha; também explicou-se a absorção da energia infravermelha pelas moléculas orgânicas, o desenvolvimento do método infravermelho e o funcionamento do Infra-Red-Milk-Analizer (IRMA).
A adaptação do método infravermelho realizada por Wolfschoon no Brasil demonstrou que é possível determinar os componentes do leite mediante a utilização de espectrofotômetros comuns. O propósito deste artigo é explicar essa possibilidade.
A espetroscopia tem sido utilizada para a análise quantitativa de sistemas de multicomponentes, mas oferece problemas quanto à absorção da água, no caso de sistemas aquosos. O leite contém uma grande porcentagem de água, o que torna difícil sua análise por espectroscopia infravermelha, devido à forte absorção que a água apresenta, principalmente na região de 1.600 cm-1. Consequentemente, é preciso valer-se da técnica de compensação do solvente, indispensável no caso de sistemas aquosos e emulsões, utilizando-se espectrofotômetros de duplo feixe. Para esta pesquisa, empregou-se, no feixe de referência, uma cela de espessura variável contendo cloreto de sódio, para possibilitar a compensação da água contida no leite e discernir os picos de absorção da gordura, proteína e lactose.
Conclusões
Na adaptação do método infravermelho encontrou-se que:
– é possível determinar quantitativamente a gordura, a proteína e lactose, nos números de onda de 1.735, 1535 e 1035 cm-1, no espetro de absorção do leite;
– é vantajoso utilizar a técnica de compensação do solvente que faz uso de uma cela de espessura variável, em vez de uma cela de espessura fixa, desde que:
– a variação na quantidade do solvente na cela da amostra é proporcional às mudanças na espessura da cela de referência;
– os erros devidos à variação na quantidade de água contida nos diferentes tipos de leite (apontados por Biggs) podem ser eliminados;
– obtém-se uma melhor compensação da água, utilizando-se uma solução aquosa de cloreto de sódio a 5%, no feixe de referência, em vez de água destilada. Este fato foi estabelecido por Thompson em relação à soluções aquosas e confirmou-se nesta pesquisa, com relação à compensação da água contida no leite;
– a combinação dos cristais CaF2 – BaF2 na cela da amostra, não é fator limitante para a determinação dos componentes do leite;
– o grau de homogeneização afeta a sensibilidade do método em relação à determinação da gordura, fato que é comprovado pelo espectro do leite sintético e concordante com Goulden;
– a comparação dos resultados obtidos das análises efetuadas pelo método infravermelho e pelos métodos químicos fornece evidência da utilidade da cela de espessura variável para a análise leite por espetroscopia de absorção infravermelha.
Referências
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